terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Curtinhas sobre scat

 


- Noto que as pessoas até querem intimidade... mas quando chegam na questão do scat, travam. Mesmo "cagar de porta aberta" pode parecer algo de outro planeta...

- Outro dia estava conversando com uma amiga... perguntei a ela qual foi a coisa mais louca que já tinha feito no sexo. Ela disse que, quando estava bêbada, mijou em um cara. Achei bacana. Perguntei se já tinha cagado tb. Ficou horrorizada. Disse que esse jamais faria. Eu perguntei pq. Argumentei: mijar, cagar... não é tudo a mesma coisa? Ela disse: ah não... o cheiro não rola né. Infelizmente, o tabu sobre o cocô é ainda gigante... vida que segue.

- Muita gente me pergunta como tirar o cheiro após a prática do scat. Dica infalível! Higienize a região que teve contato com o cocô com sabonete íntimo feminino. Ele é antibacteriano e neutralizador de odor. Lave bem. Depois, lave novamente com o sabonete de sua preferência. Pronto! Fim dos seus problemas! 😉

segunda-feira, 25 de maio de 2020

A psicologia e o scat: debatendo alguns pontos


Meu amigo Gustavo, do blog queroscat.com, fez um post belíssimo, em que relata uma consulta sua ao psiquiatra, para falar sobre sua sexualidade que tanto adora: o scat. Vejam o post completo aqui: https://www.queroscat.com/2019/10/fui-pela-primeira-vez-em-um.html

O texto é bastante esclarecedor, mas gostaria de questionar alguns pontos que considerei importantes e os quais também discuti em uma live em meu perfil no Facebook (https://www.facebook.com/leon.scat/videos/3132980193594868/). Vamos aos apontamentos. O psiquiatra, denomidado de Marcelo, diz que "se você tem o fetiche como principal, você pode ficar nervoso na hora de uma relação. Essa é a parte ruim. Sua vida sexual não estar boa." De fato, quando um determinado ponto da sexualidade é mais importante que o sexo em si, isso acaba trazendo alguma perturbação, CASO VOCÊ QUEIRA TER UMA RELAÇÃO SEXUAL DITA NORMAL (ou convencional). E aí está a questão... você, scatter, QUER TER uma relação sexual convencional? Eu não faço a mínima questão. Prefiro mil vezes buscar o que realmente curto a fazer algo que não curto. Afinal, esse é pra ser um momento de prazer e não de chateação.

Aí, o psiquiatra então alega que, se você não tiver uma constância sexual bacana, sua vida, como um todo, pode não estar legal. Ele diz isso baseado em valores sociais e morais construídos ao longo de milhares de anos e reproduzidos pelas pessoas (inclusive por ele), quase que involuntariamente. Poucos são os que questionam as regras e convenções sociais, no intuito de quebrar paradigmas ou status quo. Pergunto: é preciso mesmo que sua vida sexual esteja frequente para que você esteja bem num todo? Uma punheta bacana vendo seu fetiche favorito não resolve? Acredito que aí vai de cada um, de cada organismo, de como você realmente se sente... Lembrando que você deve, ao máximo, se autoconhecer e ser honesto consigo mesmo, com relação aos seus sentimentos e estado de espírito.

Eu falei sobre masturbação. E o Marcelo me contesta. Diz ele: "A masturbação é boa e ruim. Ela é boa porque ela é uma descarga. No homem, o saco escrotal encheu de esperma você tem que expelir. No caso pra nós homens, é uma necessidade. Tá bom? O problema é que vai cada vez te isolando mais. Isso com o tempo, eu quero dizer. Tem homens que tem 20 anos, 30 anos, 40 anos... E se masturbam, a masturbação vira um vício. Entendeu? E cada vez mais eles se isolam porque precisam menos ainda "da outra" ou "do outro". E aí que acho que é esse o problema psíquico. O problema psíquico é o isolamento."

Não vejo o isolamento como um problema (e aqui retorna aquele questionamento sobre os valores construídos pela sociedade). Não precisar da outra pessoa para o que quer que seja na vida é, definitivamente, do meu ponto de vista, uma virtude. Você deve ser independente em tudo. Na sua vida financeira, espiritual e emocional. Se você se sente bem em não se relacionar com outro ser humano, tá tudo lindo! Significa que você está consciente de que seu ser o preenche completamente e sua companhia o satisfaz. No momento em que você sentir necessidade de buscar uma companhia, você vai e busca. Se nunca sentir isso, tá tudo certo! As pessoas não são iguais! Não precisam ser iguais! Muito menos encaixarem-se em padrões sociais! Você é único! Seja você mesmo! Liberte-se do uso de máscaras! Seja autêntico! Ame-se, antes de qualquer coisa!

Perceba como o médico faz ilações de acordo com as normas sociais que ele mesmo vivencia, já que não pode ser separado da sociedade.
Gustavo: Sou uma pessoa doente?
Marcelo: Não. Tipo ó, deixa eu pontuar: Em relação ao seu fetiche: não.
Agora, você pode ter uma vida sexual doente? Sim. Em relação à insegurança. Então vamos imaginar que você não dorme direito... Você fica mal?
Gustavo: Sim...
Marcelo: Você não transa direito, você fica mal? Fica mal. Então você é doente? Não, mas você pode estar adoecido por causa da qualidade da sua vida sexual. Se não, você não vai conseguir ser pleno.

Gente, há plenitude sem vida sexual sim. Assim como há plenitude com ela. Como há plenitude em contemplar a natureza, os pássaros, em fazer uma viagem, em curtir a família... Podemos ser plenos com ou sem qualquer coisa, desde que sejamos honestos conosco mesmos. Que saibamos o que queremos, o que buscamos. Para isso, o autoconhecimento é essencial. Sempre! Até para saber se você realmente curte ou não o scat. Digo isso porque vejo muitos curiosos apenas se intitulando amantes da prática. Não que não possam ser... mas busquem uma certeza! Um norte para a vida! Parênteses feitos, continuemos.


O profissional da saúde, então, faz um apontamento interessante. Diz ele, ao Gustavo: "Você tem um tipo de excitação que foi produzido de forma inconsciente, não é consciente, que tem um pouco mais de dificuldade de adaptação social. Pra maioria das pessoas, por senso comum, não é muito desejável." É isso que precisamos mudar. Não estou dizendo que as pessoas devem amar o cocô e o torná-lo desejável da noite para o dia, mas sim, tentar evitar a sensação de nojo e, principalmente, o julgamento com relação às pessoas que amam a prática. Vamos abrir a mente e ampliar nossa capacidade de compreensão. O scat é uma de inúmeras formas que existem de sentir prazer. Não há mal algum nisso. Quem pratica não é doente mental, não é um porco imundo, não é uma pessoa repugnante. Pelo contrário. Você pode conhecer um scatter mega gente boa, super asseado, cheiroso e nem saber que ele é scatter. Se você descobrisse que seu amigo ou amiga que tanto curte é scatter, isso mudaria a imagem que você tem dele ou dela? Você o(a) julgaria? Seus sentimentos por essa pessoa mudariam?

Precisamos eliminar a questão da adaptabilidade social, que também é intrínseca à mente do psicanalista. Veja o que ele diz: "E como você "se vê" nesse fetiche, em relação à sociedade? Então você se vê... é... meio "ET" entendeu? (risos) Tipo, não permitido, ou uma coisa errada... "que tira o seu valor"... e te "descrimina como pessoa"." Lá vou eu argumentar. Eu não me vejo como um ET. Muito pelo contrário. Sempre me aceitei e procurei entender cada vez mais minha natureza scatter. Se nós, scatters, nos vermos como ETs, é claro que a adaptabilidade social será cada vez mais difícil a esse tipo de sexualidade. Nós, scatters, precisamos entendê-lo como normal e tratá-lo de forma natural. Esse é um grande passo e um dos caminhos para eliminar, ou pelo menos reduzir, a questão da adaptabilidade social. Quanto mais natural e comum uma coisa é, menos as pessoas se impressionam.

Sobre a prática do scat em si, Marcelo também faz algumas ilações com as quais não concordo. Ele diz que a fixação no cocô é puxada para o lado da humilhação. Veja:
Marcelo: Mas eu acho que a sua questão é o nojo.
Gustavo: É! Mas é mesmo.
Marcelo: Se a questão fosse fixada no cocô, vira essa coisa de humilhação... Mas não é fixado só no cocô, é fixado em outras coisas também. Então parece que tá muito mais ligado à questão do nojo.

O Gustavo gosta de outras coisas sim, como saliva, cheiros, etc. Para ele, de fato, o nojo pode ser a mola propulsora por trás disso. No meu caso, eu só gosto de cocô, cheiro de cu fedido e peido. Ou seja, meu motor de excitação, em primeiro lugar, é o cheiro. Sou fixado basicamente no cocô e no cu. Não curto humilhação. Para mim, funciona como um ato de intimidade extrema entre duas ou mais pessoas. Você não vê o cu das pessoas do nada. Mesmo que a pessoa esteja nua, precisa abrir as nádegas dela para ver o cu. Ou seja, é íntimo. Quantas pessoas você viu cagando durante sua vida? É raríssimo! Algo de enorme intimidade. Que dirá então, cheirar, lamber, comer o cocô de alguém. É mega hiper ultra íntimo! Isso é o que me atrai. Ir até o fundo da alma sexual da pessoa. Pegar o que tem dentro dela e colocar dentro de mim (quando engulo um pouco). Sentir seu cheiro que ninguém sente. Íntimo demais. Mas gosto disso com carinho, com prazer, não como se fosse uma humilhação, como se eu fosse obrigado àquilo, com gritos, ordens e tapas, como se fosse um ser inferior. Então, o médico se mostra contaminado pela maneira como o scat é visto por muita gente. Não se pode generalizar isso, pois cada um sente de uma maneira e tem um gosto, um detalhezinho peculiar que desperta o tesão. Tem quem goste da situação da humilhação? Sim! E tá tudo certo! Mas eu não curto e amo cocô!

Para encaminhar a parte final, mais dois pontos. Esse eu acho que o Marcelo analisa e explica muito bem. Veja:
Gustavo: Eu tenho como dar um gatilho em alguém que não gosta? Por exemplo: Começo a namorar uma pessoa. Ela nunca teve essas experiências. Eu tenho como fazê-la gostar? Não é que eu vou impor isso, mas existe a possibilidade "dela" começar a gostar?
Marcelo: Só se ela já tiver isso. Isso você "não coloca". Ela pode ter e ela não saber... (risos) Mas você não coloca. Porque isso é um processo inconsciente na primeira infância. Essa pulsão. Essa energia. Esse tesão. Agora lógico, ela pode "aceitar".

Realmente, é muito difícil fazer alguém gostar de um fetiche. Impossível acontecer? Nada na vida é impossível. Porém, é bastante difícil. Separei esse ponto porque muita gente sempre me pergunta. Como você faz para falar com a pessoa com quem você está que você curte scat? Como convencê-la a fazer com você? Não dá para fazer isso, gente. O que pode acontecer é a pessoa fazer scat porque gosta de você e não do fetiche. Então ela faria por você, pelo seu prazer, para realizar seu desejo, não porque ela tem tesão naquilo. Confesso que não curto desse modo. Primeiro, eu não tento explicar nem convencer ninguém de nada. O que eu faço é já procurar pessoas que curtam scat, justamente por achar que não vale a pena o desgaste de ter que falar e explicar tudo. Não vale o emprego da minha energia nisso. Em segundo, porque eu acho que a realização sexual deve dar prazer a todos os envolvidos. Se a pessoa faz porque gosta de você e não do fetiche, ainda que ela se sinta bem com isso e tenha lá seu prazer (mesmo que não seja possível eu medir), você nota que não há um envolvimento de tesão. Pelo menos, nunca notei. Isso é instinto. Vem do fundo do ser. Gosto mesmo quando as pessoas já sabem o que vai acontecer, já vão propensas àquilo, a ter prazer naquilo. Por isso, não tento explicar meu desejo para ninguém que eu ache que não curta. Jamais saberei, mas prefiro poupar minhas energias.

Para finalizar, o psiquiatra ressalta que scat não é doença, mas destaca a questão do social:
Marcelo: "Então o que eu quero é que você saia daqui pensando: "Ah, então tá de boa, isso que eu tenho é normal... o problema é a adaptação social." O nosso tempo tem um pouquinho mais de dificuldade de aceitar, do que outros fetiches. Então o problema é social. O problema é de norma de conduta. Não tem nada a ver com doença. "Vou perder o fetiche?": Nunca. "E o que fazer pra me adaptar socialmente?": Eu vou fazer isso me atrapalhar o mínimo possível. Porque eu preciso me adaptar ao social também. Eu vivo em sociedade".

Três pontos aqui. Primeiro, você não vai perder seu fetiche. A menos que aquilo seja uma fase que você esteja curtindo no momento, se for mesmo da sua sexualidade, do seu instinto, da sua pulsão, você jamais perderá. Aceite que dói menos. Isso vai te acompanhar pela vida toda. Mesmo que você sufoque, que reprima, ainda estará lá, esmagado, asfixiado, dormindo. Mas estará lá. Segundo, não é doença. Ele disse que as pessoas do nosso tempo ainda não entendem socialmente o scat. Vamos tratar o tema de forma cada vez mais natural. Aos poucos, a resistência some. Mas doença, jamais. E, por fim, em terceiro, tem gente que não dá a mínima para as regras ou normas sociais. Tem pessoas que, literalmente, cagam para as moralidades construídas. Somente assim se quebram os paradigmas. Questionando, argumentando, filosofando, refletindo, conhecendo, desenvolvendo sua mente. Se você é dessas pessoas que não está nem aí para o que os outros pensam ou o julgamento que fazem, seja feliz, assuma-se scatter na sua plenitude e viva como se não houvesse amanhã. Um dia, ele não haverá, mesmo.

Um forte abraço a todos e, qualquer coisa, me chamem nas redes sociais. Um cheiro no cu!
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O scat e as mulheres: para refletir


por Pietra Lorenza

Esse texto nasce da demanda curiosa de algumas pessoas sobre a prática sexual do scat feita por mulheres. Essa demanda veio a princípio de alguém que desejava entender as razões para um interesse como esse, mais comumente masculino, junto ao interesse sobre minha biografia enquanto aproveitadora sexual de scat.

Depois de conversar com algumas pessoas do sexo feminino em lugares diversos e expor o scat e suas peculiaridades, cheguei à conclusão de que este é só um assunto a mais nas conversas sobre sexualidade em qualquer lugar deste planeta, e que nada de novo sob o céu desperta a impressão das pessoas ao redor. O que eu quero dizer é que os costumes são seguidos e repassados entre as pessoas e estes, no campo da sexualidade, têm como tantos outros suas restrições e aceitações, como no grupo de mulheres conversado. Associo-as por mulheres porque delas vieram a atribuição de si mesmas como tal, portanto, a relação sobre a caracterização em mulheres de uma pessoa não faz, aparentemente, no que eu constatei, que pessoas com essa carácterística biológica tenha uma menor disposição ao scat, como tantas vezes já ouvi de outros envolvidos, ideia de que por serem mulheres teriam tendência a não gostarem de scat.

Concordo que o número de mulheres que gostam ou não conhecem a escatologia no sexo é bem menor do que o daqueles que se autodenominam homens, no entanto, durante essas trocas de informações com mulheres por aí, pude perceber que muitas não vêem razão para não gostarem de scat, uma vez que ele não entra no grupo de vontades patológicas, criminosas, etc., um grupo variado de mulheres que conheço já ouviu falar entre amigos ou dentro do próprio relacionamento e responderam que não praticariam ou praticariam o scat, embora não se opusessem em relação a isso na vida das pessoas.

Pesquisa sobre scat no blog do meu amigo


Olá, amigos! Tudo bem com vocês? Meu amigo Gustavo, do blog queroscat.com, está promovendo uma pesquisa sobre scat. É praticamente um censo para mapear praticantes por todo o país e entender melhor o perfil de quem curte e como curte a prática do scat.

A pesquisa é sigilosa, você não precisa dar nome ou dados pessoais. E pode ser respondida rapidamente neste link https://www.queroscat.com/2020/05/grande-pesquisa-scat.html. Respondam e observem os resultados. Em breve, faremos as estatísticas e, obviamente, poderemos falar alguma coisa com as amostragens. Aguardo vocês lá!

Um beijo e um cheiro no cu! Qualquer dúvida, me chamem nas redes sociais.

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segunda-feira, 30 de março de 2020

Perfil no Twitter



E aí, galera? Tudo bem? Resolvi fazer um perfil no Twitter para compartilhar alguns materiais. Lá é uma rede melhor do que o Facebook com relação às políticas de publicação. Quem quiser seguir, basta me procurar como @LeonScat2

Essa foto aí em cima sou eu cheirando uma bunda fedida e gostosa e também lambendo merda!

Minhas outras redes continuam ativas. Facebook: Leon Scat. Skype: amocheirarmerda@hotmail.com

Só chamar! :) Abraços!

segunda-feira, 11 de março de 2019

IMPORTANTE: Sou um scatter SEPARADO!


Gente... a vida segue seu curso e algumas pessoas vieram me perguntar se ainda sou casado. Como muita gente acompanha minha vida scatter por aqui, preciso dizer que NÃO ESTOU MAIS CASADO. No momento, estou SEPARADO. Ou seja, sou um scatter solteiro... rsrsrs. Um abraço e vamos nos falando. Um cheiro no cu!
Add lá no Face: Leon Scat ou no skype: amocheirarmerda@hotmail.com

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Scat Live no Facebook, todas as segundas!!


E aí, galera? Tudo certinho? O post de hoje é bem curto. Apenas para informar e reforçar a informação para quem já sabe que faço uma live no Facebook sobre scat todas as segundas-feiras, às 19h45. A intenção é bater papo sobre o tema e esclarecer dúvidas das pessoas sobre a prática.

Já fiz duas vezes e os resultados foram muito bons. No entanto, não deixo os vídeos publicados por segurança. A ideia é que a gente se reúna mesmo, toda segunda, como um bate-papo informal. Conversa de boteco. Trocar ideia sobre scat é muito gostoso!

Bom, então recado dado! Toda segunda-feira, 19h45, tem scat live no Face! Basta adicionar meu perfil, galera! https://www.facebook.com/leon.scat Espero todo mundo na próxima segunda para falarmos sobre essa prática que é tão prazerosa! Um beijo e um cheiro no cu! Qualquer coisa, me chamem também no Skype: amocheirarmerda@hotmail.com Abraços!

terça-feira, 5 de junho de 2018

Lixo e Gênero. Mijar/Cagar. Masculino/Feminino. (Reprodução do texto de Beatriz Preciado, no site Select Art, vinculado ao Terra)

Legenda da foto: Fabíola Dumont, Centro de Esportes Radicais, São Paulo. Terminal 10 mg, Mexa. Setembro 2017 (Foto: Dudu Quintanilha)

Silenciosamente, a arquitetura opera como a mais discreta e efetiva das “tecnologias de gênero”
por Beatriz Preciado

Dentro das fronteiras nacionais, milhares de fronteiras de gênero, difusas e tentaculares, segmentam cada metro quadrado do espaço ao nosso redor. Lá onde a arquitetura parece simplesmente se colocar a serviço das necessidades naturais mais básicas (dormir, comer, cagar, mijar…), as portas e janelas, os muros e aberturas, regulando o acesso e o olhar, operam silenciosamente como a mais discreta e efetiva das “tecnologias de gênero”. (1)

Os banheiros públicos, por exemplo, instituições burguesas espalhadas pelas cidades europeias a partir do século 19, foram inicialmente pensados como espaços de gestão do lixo corporal nas cidades (2) e converteram-se, progressivamente, em locais de policiamento de gênero. Não é por acaso que a nova disciplina fecal imposta pela emergente burguesia no fim do século 19 seja contemporânea do estabelecimento de novos códigos conjugais e domésticos que exigem a redefinição espacial dos gêneros e que serão cúmplices da normalização da heterossexualidade e da patologização da homossexualidade. No século 20, os banheiros viraram autênticas cédulas públicas de inspeção, nas quais se avalia a adequação de cada corpo com os códigos vigentes de masculinidade e feminidade.

Na porta de cada banheiro há um único sinal, uma interpelação de gênero: masculino ou feminino, damas ou cavalheiros, chapéu masculino ou chapéu feminino, bigode ou florzinha, como se a ação de entrar no banheiro fosse mais para refazer o gênero do que para se desfazer da urina e da merda. Ninguém nos pergunta se vamos cagar ou mijar, se temos ou não diarreia, ninguém se interessa pela cor nem pelo tamanho da merda. O único que importa é o GÊNERO.

Analisemos, por exemplo, os banheiros do Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, esgoto de dejetos orgânicos internacionais no meio de um circuito de fluxos de globalização do capital. Entremos no banheiro feminino. Uma lei não escrita autoriza as visitantes casuais do banheiro a inspecionar o gênero de cada novo corpo que escolhe cruzar essa fronteira. Uma pequena multidão de mulheres, que geralmente compartilham um ou vários espelhos e pias, atua como inspetora anônima do gênero feminino, controlando o acesso dos novos visitantes aos compartimentos privados, onde se esconde, entre o decoro e a imundícia, uma privada. Aqui, o controle público da feminidade heterossexual é exercido em primeiro lugar pelo olhar e, só em caso de dúvida, por meio da palavra.

Qualquer ambiguidade de gênero (cabelo muito curto, falta de maquiagem, uma penugem que aparece em forma de bigode, passo demasiado afirmativo…) exigirá um interrogatório do potencial usuário, que estará obrigado a justificar a coerência da sua escolha de banheiro: “Psiu, você! Você errou o banheiro, o masculino está à direita.” Um acúmulo de signos do gênero do outro banheiro exige irremediavelmente o abandono do espaço monogênero sob pena de sanção verbal ou física. Por fim, sempre é possível avisar à autoridade pública (geralmente, uma representação masculina do Estado) para desalojar o corpo transmutado (pouco importa que se trate de um homem ou de uma mulher masculina).

Se, superando esse exame de gênero, conseguirmos ingressar em uma das cabines, nos encontraremos em uma sala de 1 x 1,50 metro quadrado que tenta reproduzir em miniatura a privacidade de um banheiro doméstico. A feminidade produz-se precisamente pela subtração de toda função fisiológica diante do olhar público. Contudo, a cabine proporciona uma privacidade unicamente visual. É assim que a domesticidade estende seus tentáculos e penetra no espaço público. Como destaca Judith Halberstam, “o banheiro é uma representação, ou uma paródia, da ordem doméstica fora do lar, no mundo exterior”. (3)

Cada corpo preso em uma cápsula evacuatória de paredes opacas que o protegem de mostrar seu corpo nu, de expor à vista pública a forma e a cor das suas excreções, compartilha, porém, o som dos jatos de chuva dourada e o cheiro das merdas que escorregam nos sanitários contíguos. Livre. Ocupado. Uma vez fechada a porta, uma privada branca, entre 40 e 50 centímetros de altura, como se fosse um banquinho de cerâmica perfurado que conecta o nosso corpo defecante a uma invisível cloaca universal (na qual se misturam os resíduos de mulheres e homens), nos convida a sentar tanto para cagar quanto para mijar. O vaso sanitário feminino reúne assim duas funções diferenciadas tanto pela sua consistência (sólido/líquido), como pelo seu ponto anatômico de evacuação (duto urinário/ânus), sob uma mesma postura e um mesmo gesto: feminino=sentado.

Ao sair da cabine reservada à excreção, o espelho, reverberação do olhar público, convida ao retoque da imagem feminina sob o olhar regulador de outras mulheres. Atravessemos o corredor para nos dirigir agora ao banheiro masculino. Fixados na parede, a uma altura entre 80 e 90 centímetros do chão, um ou vários mictórios agrupam-se em um espaço, geralmente também destinado às pias, acessível ao olhar público. Dentro desse espaço, uma peça fechada, separada categoricamente do olhar público por uma porta com fechadura, permite o acesso a uma privada similar à que mobilia os banheiros femininos. A partir do início do século 20, a única lei arquitetônica comum a toda construção de banheiros masculinos é essa separação de funções: mijar-de-pé-mictório/cagar-sentado-privada. Em outras palavras, a produção eficaz da masculinidade heterossexual depende da imperativa separação da genitalidade e da analidade.

Poderíamos pensar que a arquitetura constrói barreiras quase naturais, respondendo a uma diferença essencial de funções entre homens e mulheres. Na verdade, a arquitetura funciona como uma verdadeira prótese de gênero que produz e fixa as diferenças entre as mencionadas funções biológicas. O mictório, como uma protuberância arquitetônica que cresce desde a parede e se ajusta ao corpo, atua como uma prótese da masculinidade, facilitando a postura vertical para mijar sem respingar. Mijar de pé publicamente é uma das performances constitutivas da masculinidade heterossexual moderna. Dessa forma, o discreto mictório não é somente um instrumento de higiene, mas uma tecnologia de gênero que participa na produção da masculinidade no espaço público. Por isso, os mictórios não estão trancados em cabines opacas, mas em espaços abertos ao olhar coletivo, sendo mijar-de-pé-entre-homens uma atividade cultural que gera vínculos de sociabilidade compartilhados por todos aqueles que, ao fazer isso publicamente, são reconhecidos como homens.
Duas lógicas opostas dominam os banheiros feminino e masculino.

Enquanto o feminino é a reprodução de um espaço doméstico no meio do espaço público, o banheiro masculino é um adendo do espaço público, no qual se intensificam as leis de visibilidade e posição ereta, que tradicionalmente definiam o espaço público como espaço de masculinidade. Enquanto o banheiro feminino opera como um mini pan-óptico, no qual as mulheres vigiam coletivamente seu grau de feminidade heterossexual e no qual toda aproximação sexual resulta numa agressão masculina, o banheiro masculino aparece como um terreno propício para a experimentação sexual. Na nossa paisagem urbana, o banheiro masculino, vestígio quase arqueológico de uma época de masculinismo mítico, na qual o espaço público era privilégio dos homens, é, juntamente com os clubes automobilísticos, deportivos ou de caça, e alguns prostíbulos, um dos redutos públicos em que os homens podem se permitir jogos de cumplicidade sexual sob a aparência de rituais de masculinidade. Mas, precisamente porque os banheiros são cenários normativos de produção da masculinidade, eles podem funcionar também como um teatro de ansiedade heterossexual.

Nesse contexto, a divisão espacial de funções genitais e anais protege contra uma possível tentação homossexual, ou melhor, condena-a ao âmbito da privacidade. Diferentemente do mictório, nos banheiros masculinos, a privada, símbolo de feminidade abjeta/sentada, preserva os momentos de defecação de sólidos (momentos de abertura anal) do olhar público. Como Lee Edelman (4) sugere, o ânus masculino, orifício potencialmente aberto à penetração, deve abrir-se somente em espaços fechados e protegidos do olhar de outros homens, porque, caso contrário, poderia suscitar um convite homossexual.

Nós não vamos aos banheiros para evacuar, mas sim para fazer nossas necessidades de gênero. Não vamos para mijar, mas sim para reafirmar os códigos da masculinidade e da feminidade no espaço público. Por isso escapar do regime de gênero dos banheiros públicos é desafiar a segregação sexual que a moderna arquitetura urinária impõe há ao menos dois séculos: público/privado, visível/invisível, decente/obsceno, homem/mulher, pênis/vagina, de-pé/sentado, ocupado/livre… Uma arquitetura que fabrica os gêneros, enquanto, sob o pretexto de higiene pública, diz-se ocupar simplesmente da gestão de nossos lixos orgânicos. LIXO>GÊNERO. Infalível economia produtiva que transforma o lixo em gênero. Não nos deixemos enganar: na máquina capital-heterossexual nada é desperdiçado. Pelo contrário, cada momento de expulsão de um dejeto orgânico serve como ocasião para reproduzir o gênero. As inofensivas máquinas que comem nossa merda são em realidade próteses normativas de gênero. Tradução de Ana Abril do texto original em castelhano publicado no blog Parole de Queer, em setembro de 2013.

(1) Utilizo aqui a expressão de Teresa de Laurentis para definir o conjunto de instituições e técnicas, desde o cinema até o direito, passando pelos banheiros públicos, que produzem a verdade da masculinidade e da feminidade. Ver: Teresa de Laurentis, Technologies of Gender, Bloomington, Indiana University Press, 1989.
(2) Ver: Dominique Laporte, Histoire de la Merde, Christian Bourgois Éditeur, Paris, 1978; e Alain Corbin, Le Miasme et la Jonquille, Flammarion, Paris, 1982.
(3) Judith Halberstam, Techno-homo: on bathrooms, butches, and sex with furniture, in Jenifer Terry and Melodie Calvert Eds., Processed Lives. Gender and Technology in the Everyday Life, Routledge, London and New York, 1997, p.185.
(4). Ver: Lee Edelman, Men’s Room em Joel Sanders, Ed. Stud. Architectures of Masculinity, New York, Princeton Architectural Press, 1996, pp.152-161.

Paul Beatriz Preciado é escritor, curador e ativista transgênero. Conhecido anteriormente como Beatriz Preciado, desde 2016 assina como Paul Beatriz. Autor dos livros Manifesto Contrassexual, Testo Yonqui, Pornotopía e Terror Anal, Preciado é um dos mais influentes pensadores contemporâneos sobre política corporal, gênero e sexualidade.
Retrato de Paul B. Preciado (Foto: Leo Freemann)

segunda-feira, 4 de junho de 2018

As mulheres têm mais dificuldade em assumir que fazem scat


Agora há pouco, tive o prazer de assistir à live, no Facebook, da Carol Benites, a Pricila Pimenta do Câmera Privê. Ela é dessas pessoas que eu prezo muito enquanto ser social. Não foge das suas responsabilidades, gosta da profissão que exerce e tem a mente bastante evoluída.

Conversamos, durante a live dela, sobre scat. E ela disse algo que eu já imaginava há algum tempo, mas não tinha como confirmar. Várias mulheres fazem scat no chat exclusivo (e na vida real também). Mas, na frente das pessoas e da sociedade, abominam a prática. Ou seja, mentem e usam máscaras!

Uma dica! Gente, ninguém é obrigado a se posicionar sobre tudo espontaneamente. Se alguém estiver julgando um scatter do meu lado, eu apenas digo que as pessoas deveriam julgar menos e cuidar mais das próprias vidas. Mas não fico dizendo gratuitamente que sou scatter. Muito menos, usaria uma máscara para dizer que acho isso nojento na frente das pessoas, quando, na verdade, amo e é meu prazer maior.

Basta não dizer nada. E se tiver de se posicionar, seja sincero, honesto. Diga que curte e ninguém tem nada a ver com isso, pois ninguém paga suas contas. Mas, pelo relato da Carol, fica claro que as mulheres têm muito mais dificuldades de assumir que fazem ou que gostam da prática.

Scat não é apenas uma questão social, galera! Postarei aqui, depois, um texto de Beatriz Preciado que fala sobre o banheiro e o gênero. É sensacional! Scat é uma questão de prazer! Se você não tiver coragem de assumir sua sexualidade, seu instinto mais primitivo e sua maior força que é o instinto sexual, que raio de ser humano é você?

Vou começar, em breve, a fazer lives no face sobre scat e tentar tirar dúvidas da galera sobre o tema. O que acham? Mas, a dica que fica hoje é: perca o medo. Assuma o que você é! Não ligue para o que os outros pensam e sim para o que você sente aí na sua alma! Nada é mais importante do que isso! Isso é liberdade, é viver a vida de modo mais pleno. Think about this, people! Um abraço, um cheiro no cu e até a próxima!

Chama lá no face: Leon Scat. Ou no skype: amocheirarmerda@hotmail.com

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Perguntas mais frequentes sobre SCAT


Galera, hoje resolvi fazer um post sobre as perguntas mais frequentes no scat! Muita gente me aborda no Facebook querendo tirar quase sempre as mesmas dúvidas. Então, resolvi compilar aqui o que mais me perguntam, com as devidas respostas. Vamos lá!

1) Como você descobriu que gostava de scat? E como começou a praticar?
R: Como a história é muito longa para resumir em poucas linhas, escrevi dois posts sobre isso no blog. Recomendo que leiam.
http://scatsexo.blogspot.com.br/2017/06/minha-vida-scatter-da-infancia-fase.html
http://scatsexo.blogspot.com.br/2017/06/minha-primeira-vez-no-scat-sim-fui.html

2) O que mais te atrai no scat?
R: O cheiro! Amo cheirar cu fedido e cocô. Sim, a mulher deve deixar o cu sem lavar pelo menos uns dois dias. Cheirar cu limpo não tem graça nenhuma.

3) Você faz também com homens ou só com mulher!
R: Mulher, mulher e mulher! rsrsrsrs (trans, podemos conversar)

3) Como você faz para tirar o cheiro?
R: Passe sabonete íntimo feminino na região e lave bem. O sabonete íntimo feminino neutraliza odores... Depois, lave normalmente com o sabonete de sua preferência.

4) Como você gosta de se realizar no scat?
R: Amo cheirar cu fedido. Depois de cheirar muito, gosto de receber cocô na boca e no peito. Esfrego na cara, no pau e gozo muito! Adoro cheirar e lamber a merda também.

5) Qual seu tipo de cocô preferido?
R: Durinho e marrom escuro

6) Você pede para que as pessoas comam algo antes do scat?
R: Não! Eu gosto do que o organismo da pessoa produz. No entanto, comer massa sempre dá mais volume e a ingestão de fibras como folhas, arroz integral, etc, dá a consistência mais firme.

7) Como você faz para encontrar praticantes?
R: Essa é a pergunta de um milhão de dólares! Se tivesse receita, eu estava feito! Mas não tem! A dica que dou: mantenha redes sociais voltadas ao scat. Tenho face (Leon Scat) e skype (amocheirarmerda@hotmail.com). Procure tamém em salas de bate-papo tipo uol.

8) Você também faz sexo com a pessoa ou só scat?
R: Para mim, scat é sexo. Depende muito do que a parceira quer fazer. Se ela quiser penetração, eu tento, tanto na vagina como no cu. Porém, a penetração para mim não é necessária. Chega a ser até desinteressante. Não ligo para penetrar. Tendo scat, é o que vale. (Atualizando para esclarecer o comentário que recebi no post!!)

É claro que eu curto beijo, sexo oral, penetração, etc. O que eu quis dizer acima é que não é absolutamente necessário. E disse isso por uma razão. Tem mulher que curte sexo com scat. Tem mulher que não curte! Algumas com quem fiz não queriam o sexo. Queriam apenas o scat. Se a mulher quiser o sexo, acho um ótimo complemento para o scat! Será que agora esclareci?

Acho que essas são as mais recorrentes. Mas, qualquer coisa, estamos aí! Um cheiro no cu!