No último sábado (24), subi ao palco da Erotika Town, um evento maravilhoso, sediado do Sodoma Lounge Bar, em São Paulo. Tive a honra de, pela primeira vez, falar sobre meu fetiche para um público presente fisicamente e curioso para entender mais sobre o tema. Já dei entrevista para uma rádio, para dois grupos de BDSM de whatsapp e para dois sites. Mas nunca havia palestrado presencialmente sobre scat.
Tanto o evento como o local oferecem plena segurança para que você fale sobre qualquer assunto. As pessoas têm a cabeça aberta e não julgam. Ouviram atentamente a tudo que eu disse sem fazer qualquer tipo de expressão de nojo ou repulsa. Obviamente, sempre ressalto que ninguém é obrigado a gostar de scat, mas sim, ao menos entender e não julgar.
Meus principais objetivos nesta breve exposição de 25 minutos eram simples. Explicar para as pessoas as possíveis origens do fetiche, a questão da intimidade, do controle e expulsão das fezes, como destaca Freud na fase anal e como cada um sente prazer com isso. Segundo Freud, a criança, ao nascer, é polimorfa, ou seja, possui 100% de sexualidade, o que englobaria a presença de todos os fetiches do universo. Segundo o pai da psicanálise, a criança vai perdendo esses fetiches ao longo da vida e fixando a sexualidade em alguns pontos específicos.
Também tinha outros dois objetivos. Deixar claro para as pessoas que nós, que gostamos de scat, não somos doentes mentais, como nos julgam. Nem cometemos crime. Sendo consensual, o fetiche não machuca ninguém, não causa transtorno. Ao explicar a origem dos fetiches, fica claro que existem explicações lógicas (embora não fossem necessárias) que comprovam que não somos malucos e não devemos ser internados em hospícios. Ainda tentei desmistificar o rótulo de que somos porcos, sujos e não asseados. Pelo contrário. Conheço scatters que têm mania de limpeza! Eu tomo banho todos os dias, escovo meus dentes três vezes ao dia, passo perfume, desodorante, sou limpo e arrumado. Tenho amigos, saio, curto minha balada e meu som. Ou seja, só porque eu tenho um fetiche diferente acham que sou imundo? Não sou!
Uma amiga psicóloga disse que jamais beijaria minha boca. Falei: você não sabe o que está perdendo. Meu beijo é gostoso e refrescante. Hahahaha. Enfim, existe muito preconceito e muito tabu sobre o scat. Ouvir que somos sujos ou doentes é algo que dói. Mas, no sábado, nada disso entrou em cena. Fui extremamente respeitado durante minha apresentação. Estou à disposição da Fada, a CEO da Erotika Town, para oq eu ela precisar! E a sensação de falar sobre uma das minhas paixões foi algo surreal, maravilhoso, espetacular! Que bom que pude deixar algum legado! Viva o SCAT!


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